Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol: Empresas membro apresentam os resultados do ciclo 2019

O evento, que celebrou a publicação dos inventários de emissões de gases de efeito estufa dos membros do Programa, contou ainda com uma apresentação temática sobre Blockchain, além da participação de empresas selecionadas, que apresentaram suas estratégias e projetos para a gestão de emissões. 23/08/2019
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A estratégia de empresas para a gestão das emissões de gases do efeito estufa (GEE) foi um dos focos do Evento Anual do Programa Brasileiro GHG Protocol, que aconteceu no dia 15 de agosto, na FGV. O evento, que marca a divulgação dos inventários anuais de GEE das organizações membro, apresentou dados consolidados do ciclo 2019, também teve painel que reuniu empresas que se destacaram no relato da gestão climática em suas organizações.

O Programa Brasileiro GHG Protocol teve início em 2008 por meio de uma parceria entre o FGVces e o World Resources Institute (WRI). Sua criação contou também com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), da Embaixada Britânica no Brasil, do World Business Council for Sustainable Development (WBSCD) e 27 empresas fundadoras. O objetivo é difundir uma cultura de inventários corporativos de GEE no Brasil, auxiliando organizações públicas e privadas na mensuração, relato e verificação de suas emissões. A mensuração das emissões de GEE é o primeiro passo para que as organizações promovam a gestão das suas fontes de emissão.


Ao abrir o evento, Mario Monzoni, coordenador do FGVces, afirmou que vê um movimento do setor empresarial no sentido de fortalecer sua atuação nessa agenda e de entender o inventário de emissões como orientador da gestão, e como ferramenta na busca por eficiência, na criação de novos produtos e serviços e para impulsionar novos modelos de negócio. Por outro lado, atualmente, a urgência da crise climática tem colocado o meio ambiente como ponto crucial em acordos comerciais internacionais. “É absolutamente estratégico para aquelas empresas que querem acessar diferentes mercados, cadeias de valor aqui no Brasil ou cadeias globais, que a gestão de suas emissões seja feita”, destacou Monzoni.

Estratégias para a Gestão de GEE

Cada vez mais, empresas brasileiras estão se tornando protagonistas no combate à mudança do clima. “Mesmo na ausência de regulação, as empresas têm desenvolvido estratégias de gestão e projetos de mitigação de emissões de GEE. Essas ações promovem eficiência e integridade ambiental nas operações das empresas”, disse Guarany Osório, coordenador do Programa de Política e Economia Ambiental do FGVces. O Painel, que teve apresentações de representantes da AkzoNobel, Hospital Israelita Albert Einstein e Natura Cosméticos, buscou dar visibilidade a esse protagonismo e estimular outras organizações a avançarem com projetos e ações similares.


Vinícius Cataldi, da AkzoNobel, destacou que novos produtos desenvolvidos pela empresa devem emitir menos ou igualar a emissão do produto que substituem. Para isso, foi realizado a modelagem de 95% das matérias primas utilizadas na fabricação das tintas decorativas e as informações foram integradas em um sistema de controle de formulações, facilitando o uso do químico na busca pela redução.

Utilizado na anestesia, o Óxido Nitroso (N2O) foi identificado de grande relevância no inventário das emissões do Hospital Albert Einstein. Assim, Neilor Cardoso Guilherme conta que um projeto, formado pelas equipes médica, engenharia clínica, meio ambiente e enfermagem, focou em ações que contribuíram para a redução de 40% do uso. Com a ajuda da equipe de anestesia, foi possível, ainda, reduzir em 61% o consumo do gás nas cirurgias, adequando os procedimentos aos protocolos de uso do gás.

A Natura Cosméticos, representada por Thais Pacheco Espildora, trouxe a experiência do Programa Carbono Zero. A empresa, a partir do pensamento de ciclo de vida, mede as emissões desde a extração das matérias-primas, o processo produtivo, transporte até o descarte do produto. Espildora conta que a Natura considera os desafios socioambientais como uma oportunidade de inovação. Dentre outras ações, utilizam matérias-primas que estimulam a economia regenerativa e a valorizam a floresta em pé, buscam embalagens com menor impacto e apoiam projetos para a compensação de emissões de GEE.

Assista ao painel:

Resultados do ciclo mostram compromisso das empresas

Os resultados do ciclo do Programa Brasileiro GHG Protocol mostram que as empresas mantiveram seu compromisso com a preparação de seus inventários de emissões. Foram 141 organizações que participaram do Programa em 2019, número bastante similar aos anos anteriores, que produziram em conjunto 12 inventários a mais que o ciclo passado, somando 319. Assista à apresentação dos resultados aqui.

O número de inventários selo ouro, aqueles que são completos com verificação por organismo de terceira parte acreditado pelo Inmetro, aumentou com relação ao ano passado, somando 75 inventários, três a mais que o ciclo anterior. Ainda, foram publicados 59 inventários completos, os selos prata, e sete parciais, os selos bronze que, em geral, são realizados por empresas que estão no primeiro ou segundo ano de preparação de inventários. 


As emissões de Escopo 1, aquelas que são provenientes da própria operação da empresa, somam aproximadamente 14% das emissões nacionais, desconsiderando as emissões por mudança no uso do solo. Essas emissões são equiparadas ao volume emitido anualmente por países como a Colômbia e Bélgica, o que demonstra um grande potencial de redução pelos membros do Programa.

Neste ciclo, pelo segundo ano, também foram relatadas as emissões de Escopo 2 pela abordagem baseada na escolha de compra, que considera, ao invés do fator de emissão por localização (sistema interligado nacional), o fator de emissão específico de fontes escolhidas por meio de contratação livre. 10 organizações relataram por meio dessa abordagem, duas a mais do que no ciclo 2018. Segundo Guilherme Lefèvre, gestor do Programa Brasileiro GHG Protocol, este número deve crescer nos próximos anos, na medida em que as organizações forem se familiarizando com as regras estabelecidas para este relato. 

O tema relato de emissões de Escopo 2 pela abordagem baseada na escolha de compra também foi assunto da apresentação temática do Eduardo Diniz, professor da FGV EAESP, convidado para falar do estudo sobre o potencial do blockchain no rastreio de energias renováveis. O Estudo, liderado pelo professor Diniz, foca na abordagem por escolha de compra, propondo um sistema que ajudaria na automação do processo de rastreio, por meio da tecnologia de blockchain, para proporcionar mais segurança e transparência, além de diminuir custos e facilitar processos de contabilização.  

É possível assistir a todo o evento clicando aqui. Baixe a apresentação aqui. Acesse, também, as fotos do evento aqui.

 Fotos: Piti Reali

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