Programa Brasileiro GHG Protocol apresenta resultados dos inventários 2014

Evento Anual destaca consolidação do Programa, com recorde de organizações-membros e de inventários corporativos publicados no Registro Público de Emissões 18/08/2015
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Local: Teatro Vivo, São Paulo/SP
Data: 11 de agosto de 2015 Projeto: Programa Brasileiro GHG Protocol Participantes: Público em geral Palestrantes: Annelise Vendramini (GVces), Carlo Linkevieius (CPFL Energia), Guarany Osório (GVces), George Magalhães
(GVces), Heloísa Genish (Telefonica Vivo), Jorge Soto (Braskem), Preeti Srivatav (We Mean Business) Texto: Bruno Toledo (GVces)

A mensuração de emissões de gases de efeito estufa já faz parte da realidade de organizações em diferentes elos da cadeia de valor, não se restringindo mais apenas às grandes empresas e envolvendo também as de menor porte. 

Esta é uma das conclusões apresentadas pelo Programa Brasileiro GHG Protocol durante o Evento Anual 2015, realizado em 11 de agosto passado no Teatro Vivo, em São Paulo. Durante o evento, foram divulgados os resultados dos inventários de 2014 das organizações membros do Programa.

Os resultados refletem o engajamento crescente das empresas brasileiras no esforço de mensurar, relatar e verificar suas emissões de gases do efeito estufa (GEE). Neste ciclo, 313 inventários foram publicados por 133 organizações membro, entre empresas, instituições financeiras, instituições de ensino e poder público. Comparativamente, em sete anos, o número de membros cresceu mais de 390%.

DESTAQUES DOS INVENTÁRIOS 2014 E NOVIDADES

Considerando o número de organizações que estão do Programa e sua representatividade no quadro nacional de emissões, podemos ver que esse grupo de empresas é expressivo e tem potencial para mudar o cenário das emissões nacionais. – George Magalhães, coordenador do Programa Brasileiro GHG Protocol

Houve um aumento de 15% no número de inventários publicados no ciclo 2014 em comparação com o ano anterior. Os dados consolidados desse grupo indicam que essas organizações emitiram em suas operações mais de 71 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) – o que representa 7% das emissões nacionais, excluindo-se as emissões por mudança no uso da terra (com base nos dados do Sistema de Estimativa de Emissões de GEE/SEEG do Observatório do Clima).

Essas organizações representam 17 setores da economia brasileira, sendo que os mais significativos em termos de emissões são os da indústria de transformação (35%), atividades financeiras/seguros (10%), eletricidade e gás (9%), atividades profissionais científicas e técnicas (6%), transporte, armazenagem e correio (5%), e construção civil (5%).

Do quadro geral de inventários, 93% dos inventários publicados possuem todas as informações sobre emissões diretas e por compra de energia, sendo que 45% foram verificados por terceira parte, recebendo o Selo Ouro do Programa.

Durante o Evento, também foram anunciadas algumas novidades para os próximos ciclos de trabalho do Programa Brasileiro GHG Protocol. Primeiro, a criação de um novo selo além dos três existentes hoje (Bronze, Prata e Ouro), com o propósito de reconhecer reduções efetivas de emissões. Isso será construído coletivamente com os membros do Programa nos próximos meses, também com o objetivo de incentivar positivamente a agenda de mitigação dentro dessas organizações. Segundo, a recomendação do uso das Diretrizes Agropecuárias, lançadas pelo World Resources Institute (WRI) no ano passado, que são aplicáveis para contabilizar as emissões decorrentes das práticas do setor e, também, de mudanças no uso do solo realizadas por empresas de outros setores como mineração, construção civil, geração hidrelétrica, etc. E terceiro, a realização de uma pesquisa para captar as percepções e demandas temáticas entre seus membros e obter insumos setoriais para o planejamento estratégico do Programa.

Outra frente de trabalho que o Programa fortalecerá no próximo ciclo será acreditação de organizações verificadoras (OV). Um esforço do Programa nesse trabalho será difundir o “Comitê Técnico de Assessoramento” como um canal de comunicação entre quem faz o inventário e quem verifica essas informações, incentivando um diálogo substantivo entre esses atores e o órgão acreditador (INMETRO).

Para mais informações sobre os destaques dos inventários apresentados durante o Evento Anual, clique aqui. Todos os inventários já estão disponíveis no Registro Público de Emissões.

GESTÃO DE EMISSÕES DENTRO DA ESTRATÉGIA EMPRESARIAL

Muitos líderes empresariais entendem que, se você quer ter sucesso nos negócios hoje, você precisa ter as mudanças climáticas dentro da sua estratégia global, da gestão da sua cadeia de valor e de risco. – Preeti Srivatav, diretora de estratégia da coalizão empresarial We Mean Business, durante o Evento Anual 2015

Hoje, em meio a um cenário econômico problemático, as empresas brasileiras enfrentam um desafio extra na gestão de suas emissões de GEE. Em tempos de queda na produção industrial, aumento do desemprego, inflação em alta, câmbio desvalorizado e perspectivas de médio prazo pouco otimistas, a questão climática tende a ser relativizada em favor de preocupações econômicas imediatas. 

No entanto, a ação climática pode servir como uma ferramenta para ajudar a empresa nesse momento econômico crítico. Esta é a conclusão dos panelistas convidados pelo Programa Brasileiro para debater os desafios e as oportunidades da gestão de emissões inserida na estratégia das empresas. Para eles, as empresas já estão enxergando a questão climática não apenas pelo espectro do risco, mas também como uma janela de oportunidade para o Brasil crescer a partir de uma economia de baixo carbono.

Uma frente na qual algumas empresas brasileiras já estão se preparando para avançar é no comércio de emissões de GEE, uma ferramenta bastante utilizada em mercados no exterior para incentivar os atores econômicos na redução efetiva de emissões associada a sua própria estratégia de negócio. Isso vem sendo feito no Brasil a partir de uma iniciativa pioneira do GVces e da Plataforma Empresas pelo Clima, o Sistema de Comércio de Emissões (SCE EPC), um simulado que oferece ao setor empresarial brasileiro a oportunidade de experimentar um instrumento de mercado para precificação de carbono. Mariana Nicolletti, coordenadora da EPC, apresentou o projeto durante o Evento Anual e lançou um relatório com os resultados referentes ao primeiro ciclo de atividades do SCE EPC (2014). Saiba mais sobre o SCE EPC aqui.

As empresas são parte da solução no enfrentamento das mudanças climáticas e precisam estar atentas às oportunidades que surgem nesse cenário. – Carlo Linkevieius, gerente de sustentabilidade corporativa da CPFL Energia

Olhar para a questão climática como uma ameaça faz sentido apenas para quem não se move - para quem se move, ela abre um mundo novo, e nele, essas empresas farão parte da solução e serão capazes de gerar valor. – Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem

 

Fotos: Ricardo Lisboa / Yantra Imagens

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